penseira 1337
Sunday, July 05, 2009
Agridoce
Não.
Eu realmente te odeio. Um pouco, mas odeio.
Talvez eu me odeie também, pois olha só, eu continuei ao seu redor. Mas de qualquer maneira, eu certamente me odeio mais do que odeio a você, só por me fazer estar com alguém que eu odeio.
Considerando alguns pontos, eu poderia te amar. Tranquilamente. Como se não houvesse amanhã! Mas aí é que está, há amanhã e acho que nunca serei capaz de amar sem odiar.
Talvez pelo velho gosto azedo que só deixa o doce mais doce, vai saber? Não sei se isso é imprescindível para o verdadeiro amor, um pouco de ódio e caos. Se for, talvez faça sentido. Doce demais enjoa. Aquela viadagem sem fim, aquilo realmente fica irritante. Apelidinhos gays, aquela encheção de saco, ciúmes, cobrança. A pessoa perfeita seria infinitamente irritante e digna de uma necessidade de proteção acima da capacidade de um ser humano.
E é por isso que eu gosto dos seus defeitos, que me irritam, me provocam. Me tiram do sério, me deixam louca. É por que eles me dão forças pra te ignorar, pra te odiar, pra me convencer de que você é um mal desnecessário e que estarei no lucro caso me livre de você. Mas eu te odeio por que esses defeitos não são o suficiente.
Por mais que tudo isso me irrite, eu continuo pensando no quanto isso tudo é terrivelmente gostoso. E em como eu não posso me entregar, mas aqui estou eu, com as mãos pra cima, pronta pra me render. Mesmo que eu nunca confesse isso, de certa forma eu deixo transparecer. É horrível.
Tuesday, June 02, 2009
Inexiste
Te quero sujo e sozinho. Te quero puro e te quero todinho. Quero tua natureza, tua realidade. Quero quem você for.
Te quero denso e inteiro. Te quero com os olhos de quem assiste de longe.Quero tua imagem, quero tua cena, teu drama.
Tua carapaça é o que eu quero. Quero percorrer-te e deixar-te ser o que tiver que ser.
Não quero interferir em tua natureza, te quero puro e inteiro, e nisso sou verdadeira.
Quero te deixar dominar minha cabeça, por não ter chances contra tua imagem imponente.
Quero teus olhos fechados e teu olhar distante. Quero teus medos, teu grito, teu desdém.
Quero tua voz rasgando meus ouvidos. Quero teu rosto, tua fala, teu desejo. Teus sonhos, teus gostos e amores.
E que meus olhos se deleitem, que meus ouvidos se comprazam, que meus dedos não possam se refestelar em tua carne.
Te quero distante, te quero indiferente. Te quero uma imagem num quadro sendo carregado pra longe, te quero de relance.
Te quero difícil e dolorido. Te quero desgraçado e maldito.
Mas que você exista, detentor de todo o meu interesse, mesmo que seja por um segundo.
Por que a vida não tem graça. Acordo e o tempo não passa.
Por que nada mais interessa. Corro mesmo sem ter pressa.
Por que eu preciso de um motivo. Sentir o gosto do perigo.
Me interessar, me rasgar por dentro, me destruir e renascer.
De novo e de novo e de novo e de novo.
Por que não sentir me cansa e me dói. Me rasga e me destrói.
Então apareça e me instigue, me enlouqueça.
Mas seja interessante. Seja único, inesquecível, importante.
Nem que seja por alguns segundos. Mas seja.
Exista!
Saturday, April 18, 2009
onde?
Thursday, February 26, 2009
Corra!
Em compensação, tem horas que eu não consigo parar de ouvir a mesma música. Isso me deixa louca. Eu sei que há uma sorte imensa de outras músicas igualmente ou ainda mais dignas de se ouvir e respeitáveis em qualidade, entre outros aspectos. Mas há momentos em que tudo que a minha mente precisa é a repetição daquelas mesmas notas, palavras e sons por tempo indeterminado.
Há ainda aqueles dias em que eu não sei o que ouvir. São tantas boas opções, tantas chances de conseguir breves minutos de euforia, alegria, paz interior ou ainda a necessidade de pular loucamente, atingindo níveis precisamente agradáveis de liberação de endorfina.
Mas o que mais me agrada é quando me dou conta de que não estou suficientemente satisfeita com o universo a meu dispor. Quando não sei o que ouvir, ler, assistir, comer. Quando não sei aonde fixar essa coisa que eu chamo de atenção. Não quero prestá-la a nada. Não quero dividi-la com mais nada. Seja um rosto, seja um gosto, uma voz, uma fala, um sabor. Não quero desperdiçar meu silêncio, minha individualidade. Mas mesmo assim, não consigo encontrar forçar para criar nada. Minha mente viaja a velocidade da luz, entretanto, sem sair do lugar. Tudo está a um toque de alcance, mas não resta força ou ânimo para esticar os dedos, para tentar tocar a alegria ou alcançar o êxtase de uma produção efetiva.
Entre tanto querer e não querer coisa alguma, fica só essa angústia fantasiada de tédio, de falta do que fazer, falta do que querer, falta de alguma coisa que não parece fazer tanta falta assim.
Resta só a velocidade. A capacidade de esvaziar a cabeça completamente. De pensar em tudo ao mesmo tempo em que pensar em absolutamente nada. De me ver livre de toda a obrigação de pensar em alguma coisa e apenas correr. Sentir o vento batendo no meu rosto, não prestar atenção nos detalhes ao meu redor, só ver suas cores embaralhadas e suas formas desfocadas pelo meu ritmo, sentir aquela eletricidade que passa pelo corpo quando ele está prestes a atingir o momento que separa o clímax da corrida do auge do cansaço. Boiar na superfície da existência e sorrir para um expressivo espelho interior que mostra apenas um grande vazio.
Thursday, February 19, 2009
perfeição
Wednesday, January 28, 2009
Desafio do Zé
Pegar um livro próximo (PRÓXIMO, não procure);
- Abra-o na página 161;
- Procurar a 5ª frase completa;
- Postar essa frase em seu blog;
- Não escolher a melhor frase nem o melhor livro;
- Repassar para outros 5 blogs.
Sunday, December 21, 2008
a wise man
“Basta que se lembre, ao sentar para escrever, de que você foi um leitor muito antes de se tornar um escritor. Simplesmente tome consciência disso, sente-se bem quieto por alguns instantes e pergunte a você mesmo, como leitor, qual a obra literária que o Buddy Glass mais gostaria de ler caso seu coração pudesse escolher. O próximo passo é terrível, mas tão simples que eu mal posso acreditar no que vou dizer. Trate apenas, desavergonhadamente, de escrevê-la você próprio. Não vou nem sublinhar o troço, é importante demais pra isso.Tenha a coragem de fazê-lo, Buddy! Confie no seu coração. Você é um artesão de qualidade, o coração nunca irá te trair.”
Seymour, uma apresentação. Página 138. J.D. Salinger.
